segunda-feira, janeiro 12, 2026

O poeminha bobo

Tenho sentido um medo, uma ânsia

Mas não de vômito

Dessa vez de encontro.

 

Dessa vez tenho ânsia de carinho

Puro, simples, leve

Que me leve de boas

 

Tenho medo de cair

De me machucar

O abismo me parece tão próximo

 

Como confiar no outro? (Não confia)

Quem é este que me fala,

Que me interessa?

quarta-feira, maio 04, 2022

Passa

Passa sim
Mas volta
Volta com tudo
e até mais intenso
Volta e a gente não acredita.

Eu finjo que tá tudo bem,
que não é comigo
Mas volta
Volta com tudo
e é como se fosse a primeira vez.

A gente chora, esperneia
Pensa em desistir
Briga com Deus e o Mundo
Se sente uma merda
E passa.

A vida volta ao normal
Os problemas voltam a ficar mais fáceis de resolver
A vida volta a ter sentido
A gente volta a sentir prazer
Eu até me sinto bem.

O tempo passa
e quando a gente menos espera
Somos pegos de jeito novamente
Não tem hora, não tem lugar
Apenas volta.

Parece carma
Descuido
Casualidade
ou Padrão
Toda vez a mesma coisa.

É preciso dar um fim nisso
Nessa falta de amor próprio
Nesse poço sem fundo
Nessa dor
Com ternura e afeto comigo mesma. 

segunda-feira, outubro 26, 2020

Minha pele

Hoje, meu amor
tô só ferida aberta,
exposta ao vento
Ela dói demais,
parece até que nunca vai melhorar
Mas tô cuidando de cada machucado
Trocando os curativos de hora em hora
Usando dos melhores remédios naturais
babosa, mel, própolis...
Logo mais serão só cicatrizes
e minha pele estará pronta novamente para ser tocada
Mas dessa vez, com delicadeza
Por favor...
Não quero mais essa violência de amar
Cansei de tempos em tempos tirar as casquinhas dos ralados
Minha pele já não aguenta mais tanta dor
Quero nela, óleos de essência
lavanda, gerânio, copaíba, palmarosa e patchouli
Quero banho de rosas e ervas
camomila, cúrcuma, tomilho, alecrim e hortelã
Quero toque sensível e carinhoso
Palavras que afagam e olhares que acalentam
Quero olhar para essas cicatrizes
- se ainda forem visíveis -
e não mais sentir dor
Somente orgulho por terem sido curadas
E nunca mais abertas
Quero que elas sejam apenas lapsos na minha memória
quando não, esquecidas de fato
Quero delas só a experiência
e o aprendizado.
Meu amor, quando for a hora,
tudo estará em ordem
Pele limpa e hidratada
Coração em paz e mente tranquila
a espera de você.

sexta-feira, setembro 25, 2020

Teu silêncio

Eu já não sei mais o que pensar das coisas que estou sentindo com o seu silêncio. Sei que dói de tantas maneiras, uma hora sinto raiva, outra decepção, algumas pena, outras saudade, tem horas que sinto medo, arrependimento, muitas sinto culpa, em todas, amor. Um amor pouco compreendido diante de tantas frustrações, tantas idas e vindas, tantos erros e tanta coisa mal dita.

Meu desejo? Meu desejo é de gritar, pular, correr para o seus braços, dos quais nem sei se estão abertos para mim. Provavelmente não. Teu silêncio me inquieta, me dá esperanças, me faz esperar por uma palavra que seja. Mas é tudo ilusão. Isso tudo está dentro da minha cabeça, dentro de um ideal que eu criei de você, que simplesmente não existe.

segunda-feira, setembro 07, 2020

Meu tempo

O tempo passa pelos meus olhos
Em vão busco tocá-lo para tentar pará-lo
Pedi que vá um pouco mais de vagar
Que me espere!
Eu vou ficar bem para poder curti-lo melhor
Mas preciso de tempo
Tempo para me recuperar.

Meu tempo é outro agora
Enquanto ele corre,
eu ainda tento me levantar
Enquanto ele passa,
ainda tô enxugando as lágrimas
Tempo tenha piedade de mim!
Não quero perdê-lo,
mas perder-te comigo, talvez não seja tanto desperdício.

quarta-feira, maio 27, 2020

Desejo do toque

Eu olho pra ti e te desejo, fisicamente
Seus olhos perdidos, sua camisa meio aberta
Suas pernas meio abertas
Eu olho pra ti e te desejo.

Mas quando você fala…
Tudo se esvai
Você, na verdade, não fala
Você só responde
Responde impulsos
Perguntas
Você não age, reage.

Meu desejo se vai
Ou se fica num físico perdido no tempo das distâncias
Por isso nada fica
Só um desejo incompreendido
Um desejo não correspondido
Somos só corpo
Corpo que precisa do toque.

sexta-feira, abril 10, 2020

Eu sou assim

Mais uma vez
estou me perdendo
onde não devia

Pulando de cabeça
em um rio
de sentimentos rasos

Perdendo de afundar
no oceano de
amor de mim

Novamente me perco
no brilho opaco
do seu olhar

Apago minha luz
para seguir junto
de ti, amor

Mais uma vez
me entrego e
me perco assim

E a culpa
e a decisão
é só minha

Eu sou assim
fraca em amar
aquilo que sou.

sexta-feira, março 06, 2020

Eu me vejo

Eu me vejo
e não é preciso olhar no espelho
Eu me vejo nos detalhes desse lar
Nos tempos idos e nos espaços conquistados
Eu me vejo de ponta cabeça
De um jeito que nunca pensei que veria
Eu me vejo de um modo que talvez nunca tenha sonhado.

Mas eu me vejo.
Me vejo e me reconheço
Em cada dor sentida e superada,
cada decepção,
cada dia frio
e solitário.

Eu me vejo perfeitamente com todas as minhas imperfeições
e vícios…
Eu me vejo forte!
Pronta para enfrentar o Leão
Eu me vejo Mulher
Fera, Selvagem
Me vejo furacão de intensidade.

Eu me vejo vivendo,
da melhor forma que consigo.
Eu me vejo brigando com os monstros
os internos e externos também
Eu me vejo seguindo
um caminho incerto
e sem volta.

terça-feira, março 03, 2020

Eu amor

Eu já passei por tanta coisa
Tanta gente passou por mim
Nesses dias de dor
Nessas horas em que falta ar
Tudo parece sonho

O passado tão longe, tão frio
O futuro tão incerto, tão fora de alcance
O presente turvo é o que há
A dor presente
A angustia de viver o agora
Respeitar o passado
E de leve caminhar para o futuro

O peso das ideias que vaham pela minha mente
me impedem de sair do lugar
Desse lugar de dúvidas e farpas
De ovos que podem se quebrar
De corações a se partir
De amores a partir…

Tudo se vai de algum jeito
para algum lugar
longe de mim
Ou sou eu que parto, desde o parto de minha mãe?
Parto a cada instante
Parto de mim para lugar algum
Para o vazio de uma noite ansiosa, ociosa
De poemas maus escritos
e paralvas que vomitam dores

Limpa esse corpo
Tira esse medo que não é real
Eu sou real
Eu estou aqui
Renasço a cada partida
Retorno às profundezas de um amor esquecido
Recolhido sozinho no canto da sala
Olhos brilhando, esperando um abraço,
um sinal de confiança
Meu amor. Eu amor.

sábado, fevereiro 29, 2020

Teu olhar...

Teu olhar as vezes vai tão fundo em mim que perco o prumo, o medo, o receio, as palavras, teorias, o pudor... me encho de amor!

sábado, janeiro 11, 2020

O amor me salva

O que me salva é amor!
A sensação do ar entrando pelas narinas
O vento nos cabelo definindo os cachos
A música que tira o chão, que o corpo altera
O olhar que encara a alma
e tira o ar
e acelera o coração
e te leva pro céu
Prum céu azul, sem nuvens
de um dia frio
de um sol que conforta.

O amor mais uma vez me salva!
Me tira da escuridão de uma noite sem sentido
e me leva para a docilidade de olhar que me fita
Desnuda!
Na distância de uma mão e um abraço quente,
a palavra...
Que ainda existe para salvar os apaixonados
A palavra que vem do mais ínfimo do coração
Que me traz verdade
na simplicidade do cuidado.

Tua palavra me desperta
Tua certeza me impulsiona
Me leva daqui praquilo que sou,
mas esqueci que sou
Meu acalento
Que deita ao meu lado
Me aconchega
Me acolhe
pois sabe quem sou
O amor que me salva
das minhas cegueiras
Tu, meu amor.

sexta-feira, janeiro 25, 2019

9124 km de Barcelona

 

Na taça, vinho

De som, flamenco

Encontros, dois

Desencontros, quase dez.


Anos,

de distância,

de desencontros,

de idas, sem vindas.


Hoje, quase 10mil,

de distância e,

um oceano de lágrimas,

Horas de palavras.


Dias de querer-te

Um encontro, de almas

De olhares a serem dados

e sentidos a serem explorados.


Universos desconhecidos

Suspensos num tempo

Tudo no seu tempo

Há de ser amor.

terça-feira, maio 15, 2018

Um dia difícil

O que é amor?

Ele é real ou só uma invenção social? Mas o que é que estou sentido? 
Essa dor...

Essa dor de não poder viver um amor. 
Um amor verdadeiro ou um amor nos moldes que a sociedade padroniza. Isso é tão complexo e difícil de entender.

Estou confusa...
Dentro de mim sinto um rasgo, como se uma parte de mim se desprendesse sem meu consentimento. É uma dor inexplicável. Que não faz sentido. Chega a queimar os poros. O álcool ajuda a amenizar a dor da ferida exposta.

As lágrimas são tantas que o rosto incha, os olhos mal se abrem. Estão inchados, horríveis. Isso é a dor do amor. Amor não correspondido ou seria no caso, o amor impossível?

Amar alguém tão incompatível a você faz sentido? Que amor é asse?

Um amor desumano, contrário, oposto. Que te questiona, que te tira do seu mundo, das suas crenças. Um amor errado, que te muda, altera sua essência, te faz ser outra pessoa. 
Mas quem sou eu? O que era antes desse amor e o que sou depois? Melhor ou pior? Quem vai dizer?

Nada faz sentido. 
O amor correspondido, mas que te tira o chão. 
Ou o amor não correspondido que te deixa na solidão?
Que solidão é essa que meu “eu” não basta?
Eu não sou o suficiente para mim. Eu finjo que sou. Finjo para mim mesma que está tudo bem. Mas não estou.
Mas afinal, o que é estar bem?

sexta-feira, setembro 08, 2017

É uma pena

 

É uma pena que não possa compartilhar contigo todos os momentos. Que o ciúme  superficial ainda esteja presente. Digo isso porque tenho tanta segurança no meu sentimento por você e no que/e quem eu realmente quero para a minha vida, que situações como essa de um cara me pagar bebida em um bar é só mais uma situação em que eu mulher, enfrento diariamente. Seria simples eu somente não sair de casa, chamar as amigas, comprar umas bebidas. Mas não acho justo, eu tenho direito de sair de vez enquanto, me divertir, me vestir da forma que eu quiser, ir onde eu bem entender. A questão é que o tempo todo – O TEMPO TODO – somos abordadas por homens. Sejam eles mexendo com a gente, chamando a gente de todos os nomes possíveis ou simplesmente nos comendo com os olhos. E o que eu posso fazer, além de me afastar, de xingar ou no máximo pedir ajuda de alguém (de outro homem?)? Ai quando compartilho uma situação em que simplesmente estou me “aproveitando da situação” em que sou colocada todo o tempo e simplesmente cansei de tentar alguma coisa, eu sou culpabilizada. Porque eu não deveria aceitar a bebida do cara, eu não deveria estar ali, eu deveria me comportar com respeito, eu, eu, eu..., mas e o cara, mesmo eu dizendo que não queria insistiu? E o cara que mesmo eu dizendo que tinha namorado insistiu e trouxe a bebida? O que deveria fazer? Jogar a bebida na cara dele? Sair correndo? Xingar o cara? Chamar a polícia? Em todas essas opções, em quais seria taxada de mal-educada, de louca, de descontrolada? Todas! Todas eu seria a culpada. Todas eu deveria somente ficar na minha, na minha casa, na minha mesa, no meu silêncio. Mas sabe o que eu quero? Eu quero que esses homens se fodam! Eu só queria rir contigo daquele cara idiota que acreditou que pagando uma cerveja para mim ou para a minha amiga seria o suficiente para eu me interessar por ele. Não é assim que funciona. Eu sei muito bem como esses homens me veem e estou cansada. O que você pode fazer? Tanto quanto eu, rir, chorar, se sentir impotente, se sentir uma bosta. Você não é como este cara, é óbvio, não tem responsabilidade alguma sobre ele, mas tem na forma como me trata, como vê enquanto mulher, sendo subjugada o tempo todo, sendo tratada como prostituta ou simplesmente um pedaço de carne. Sim, tudo está relacionado. Eu sou eu e estou na minha pele e me sinto uma merda de aceitar bebida de um cara em um bar, mas em nenhum momento sinto que traí o que temos, o que sinto por você e o que você representa para mim. Porque não é isso, simplesmente, não é isso.

sábado, novembro 26, 2016

Encontro

Agora eu sinto, me sinto. Enfrentando a melancolia encontro um refúgio dentro da minha própria companhia. E está tudo bem. Tudo completo. Diferente do que dizem por aí, sou uma ótima pessoa. Tenho sonhos formidáveis, ideias malucas. Tenho impulso de dançar e cantar alto. Movida a cerveja, claro. Mas sou eu. Só tem eu nesta sala e o gato que dorme espalhado no chão. Mas este animo vem de dentro de mim apenas. Eu vejo, sinto uma força incontrolável, um desejo de dominar o mundo, ou quem sabe, a minha própria vida. Minhas ideias viajam na brisa que move aos poucos as árvores que vejo pela janela. Voa livre, sozinha, delicada, do seu modo. Sinto o ir e vir dos galhos, que me levam e trazem, numa dança sincronizada. Um vento leve toca meu rosto, é fresco. Me encontro em mim e basta. As cores estão mais claras, vivas. E o som penetra minha alma, cada detalhe, cada timbre, faz com que meus pelos se arrepiem. Minha pele enrijecida demonstra sentimento à música que toca no alto falante do computador. É como se tudo fosse apenas uma coisa, apenas eu mesma. Então recordo que é este encontro que preciso ter todos os dias para conseguir levantar da cama no início da amanhã e me deitar a noite, satisfeita de um dia realmente produtivo.

terça-feira, outubro 07, 2014

Olhos azuis

Eu percebi que aqueles olhos azuis me encaravam quando resolvi dar uma olhada nos participantes da palestra. Achei estranho, um cara tão gato me olhando. Prossegui achando que estava vendo coisas. Mas não. Ele estava me olhando mesmo e eu comecei a retribuir discretamente. Mas já sentia que alguma coisa estava acontecendo. Quando sorri e ele me retribuiu tive a certeza: estava rolando um clima.

Eu estava na organização da palestra. No final fiquei arrumando a sala e ele conversando com os palestrantes. Quando estava saindo ele me puxou e sem mais nem menos pediu para eu segurar a sua blusa. Não entendi bem, mas peguei a blusa e fui esperar lá fora.

Passado alguns minutos ele chegou e agradeceu. Meu Deus, que cara gato! Vi que assim como eu, ele usava um anel de tucun. Perguntei e ele me disse que lutava pela causa dos oprimidos. Me apaixonei naquela hora. Bonito e da luta. Eu queria pra mim!

No caminho até o ônibus descobrimos amigos, movimentos e interesses em comum. Tínhamos que tomar uma cerveja naquela noite de qualquer jeito.

Já no ônibus, eu com uma amiga e ele com alguns amigos fomos conversando e nos equilibrando em pé. Combinamos de nos encontrar mais tarde. Eu não acreditei, mas eu e minha amiga fomos.

No bar sentamos em uma mesa redonda. Ele ao meu lado. Foram conversas engraçadas, passamos de pesquisas acadêmicas, para política, religião e viagens. Foi muito agradável. Tomamos cachaça, eu já estava alegre (mais que o normal).

Em baixo da mesa, de repente senti uma mão se aproximar da minha. Não conseguia acreditar. Fingi que nada acontecia, até que na segunda investida eu aguarei a mão dele ficamos ali de mãos dadas escondidas. Meu coração batia a mil e eu comecei a rir de qualquer coisa que falavam na mesa.

Levantei-me, pedi licença e fui ao banheiro. Meio cambaleando e rindo sozinha, olhei pra trás e aqueles olhos azuis estavam lá. Quase cai. Ele era um gato. Sem nenhum comentário ele me puxou para um canto mais reservado do bar e me beijou. Tive impressão de ter flutuado.

Começamos a rir e se beijar ao mesmo tempo. Não sei porque, mas não queríamos que o pessoal da mesa nos visse juntos. Trocamos alguns beijos e voltamos pra mesa, como se nada tivesse acontecido.

Passada uma meia hora, levantei e fui ao banheiro de novo. Chegando lá, percebi que ele me seguia. Riamos muito e beijávamos muito. Repetimos esse ritual mais umas 2 vezes, até que chegou a hora de ir. No fim todos da mesa já haviam percebido.

Saímos de mãos dadas e muito animados. Então ele me contou que estava indo embora em algumas horas, tinha passagem de avião marcada. Isso na verdade não me importava, estava tão feliz naquele momento que não poderia pensar no depois. Caminhamos assim até seu hotel. Todos se despediram e chegou a nossa vez.

Prometemos escrever um artigo acadêmico juntos e participar de algum evento em comum. Talvez isso realmente pudesse acontecer, Rio Grande do Sul não era tão longe do Paraná. Enchemo-nos de esperança e seguimos nossa vida. Na certeza de que aqueles olhos azuis ainda iriam cruzar com os meus, segui sonhando e suspirando apaixonada pela noite maravilhosa que tivemos.

quarta-feira, outubro 01, 2014

Você me encontrou na rua

Fechei os olhos e tentei lembrar se realmente aquilo tudo havia me acontecido. Foi tão intenso, tão bonito, tão inesperado. Parecia filme.

Eu vinha caminhando pela rua, quando você me parou e perguntou se por acaso eu conhecia algum bar legal para tomar uma cerveja naquela região. Eu disse que sim e era logo alí descendo a rua. Com a mão indiquei o caminho. Você agradeceu, fez que ia seguir mas voltou e me perguntou se eu topava tomar uma cerveja.

Eu nunca fui de negar oportunidades. Era uma terça a noite, estava cansada, trabalhara o dia todo, seria uma boa beber cerveja e trocar uma ideia com alguém legal. Aceitei na hora. Você sorriu e seguimos para o bar. No caminho perguntei seu nome e se era de costume convidar pessoas desconhecidas na rua para uma cerveja. Era tudo novo, para mim e para você.

No bar foram cerca de duas horas de intensa conversa. Pela primeira vez o que realmente me interessou era aproveitar aquele momento e conhecer melhor aquele cara maluco que compatilhava um chop comigo. Não queria saber se iamos nos ver novamente, se você estava mentindo, se você tinha facebook ou se era estudioso. Me importava sua essência, seu ser.

Você tinha histórias divertidas, fantásticas. Tinha dicas de música, filmes, canetas, vinhos e softwares livres. Num bloquinho você ia anotando tudo para que eu pesquisasse melhor depois. Eu também dei as minhas sugestões. Foi uma troca.

Rimos muito. Loucos por novas experiências e amizades. Tinhamos alma comum. Tua delicadeza me encantava, sua juventude me inspirava. Você me empolgou. 

Saindo do bar caminhamos até minha casa. No caminho, mais risos e histórias mirabolantes, dos dois. Você pegou em meu braço e seguimos caminhando de braços dados. Estava frio.

Em frente de casa em um impulso você me puxou e me beijou. Eu retribui porque era o que eu queria naquele momento. Ficamos ali sentindo um ao outro, tão perto, tão quente. Você tinha mãos suaves e uma barba deliciosa. Me apaixonei naquele instante.

Mais alguns beijos e amassos, entrei em casa, mas antes deixei meu telefone. Em minha cama, ainda em êxtase, meu coração batia forte. Eu ria sozinha. Era tão bom se sentir nas nuvens. Parecia sonho.

De repente me dei conta. Não havia pegado nenhum contato seu. Não sabia seu nome completo e nenhuma informação precisa que pudesse me ajudar em uma pesquisa na internet. Nunca mais saberia de ti. A menos que você me ligasse. 

Isso foi real? Você existiu mesmo? Se não existiu, como eu poderia me sentir assim, tão irradiante e completa? Tão apaixonada... Eu me lembro do seu rosto, do seu cheiro e da sua barba. Mas não sei como te encontrar. Não temos pessoas amigos em comum, atividades em comum. Somente várias páginas de um bloquinho com a sua letra e várias dicas para eu pesquisar. 

Eu parei, sorri e me acalmei. Tinhamos almas parecidas, se tudo aquilo realmente aconteceu, iriamos nos encontrar de qualquer maneira. No tempo certo você vai aparecer e vamos rir ainda mais da nossa história.

sexta-feira, setembro 21, 2012

Passado, presente e futuro

Por vezes me pego olhando suas velhas fotos, de anos passados. De um tempo que eu não existia. E tenho ciúmes. Não sei porque isso acontece.

Naquele tempo, estava eu a suspirar por outro olhar, a sentir borboletas voando dentro da barriga e escrever poemas de amor. Eu nem existia. Esta realidade não existia e tampouco sonhava em um dia acontecer.

Os planos eram outros, os amores platônicos também, eu tinha plena certeza do que queria e para mim aquilo seria eterno. Pois bem, a vida muda, o mundo dá voltas. O passado, passou. Alguns planos foram deixados e aos poucos novos desejos e paixões foram surgindo.Eu não percebi, mas, quando vi já estava envolvida em outra história, dentro da minha história. E assim aconteceu com todos os envolvidos nela.

Lembramo-nos do passado. Sorrimos. Choramos. Temos bons sentimentos, eternas lembranças, mas, não passa de passado. Algo que não volta.

O presente deveria ser o mais importante. E é. Mas de vez em quando, queria por um minuto fazer parte daquele passado. Também ser lembrada eternamente. Penso de novo e não sei se é uma boa ideia. Ser passado é ter passado, ainda que lembrado para sempre, é passado, não existe mais. Eu sou o presente, vivo este presente intensamente. Preciso me dedicar a ele e buscar não vir a ser passado também. Não quero parar de existir nesta história. 

Ao contrário do ciúmes, preciso ver de outra forma. Graças a este passado, cheguei aqui para viver esta história presente e graças a este presente vou garantir que esta história continue no futuro.

sábado, agosto 18, 2012

Falta

As vezes falta um pouco de intensidade nas coisas. Eu gosto disso. De me sentir cheia, extasiada, cansada, com dores de alegria. Sinto tanta apatia ultimamente, tanta superficialidade e tecnicismo. Isso me incomoda!