Não se iluda, Fran
Nada mudou
Só você
E você já basta
Tem que bastar!
Não se iluda, Fran
Nada mudou
Só você
E você já basta
Tem que bastar!
Eu já não sei mais o que pensar das coisas que estou sentindo com o seu silêncio. Sei que dói de tantas maneiras, uma hora sinto raiva, outra decepção, algumas pena, outras saudade, tem horas que sinto medo, arrependimento, muitas sinto culpa, em todas, amor. Um amor pouco compreendido diante de tantas frustrações, tantas idas e vindas, tantos erros e tanta coisa mal dita.
Meu desejo? Meu desejo é de gritar, pular, correr para o seus braços, dos quais nem sei se estão abertos para mim. Provavelmente não. Teu silêncio me inquieta, me dá esperanças, me faz esperar por uma palavra que seja. Mas é tudo ilusão. Isso tudo está dentro da minha cabeça, dentro de um ideal que eu criei de você, que simplesmente não existe.
Eu olho pra ti e te desejo, fisicamente
Seus olhos perdidos, sua camisa meio aberta
Suas pernas meio abertas
Eu olho pra ti e te desejo.
Mas quando você fala…
Tudo se esvai
Você, na verdade, não fala
Você só responde
Responde impulsos
Perguntas
Você não age, reage.
Meu desejo se vai
Ou se fica num físico perdido no tempo das distâncias
Por isso nada fica
Só um desejo incompreendido
Um desejo não correspondido
Somos só corpo
Corpo que precisa do toque.
Eu me vejo
e não é preciso olhar no espelho
Eu me vejo nos detalhes desse lar
Nos tempos idos e nos espaços conquistados
Eu me vejo de ponta cabeça
De um jeito que nunca pensei que veria
Eu me vejo de um modo que talvez nunca tenha sonhado.
Mas eu me vejo.
Me vejo e me reconheço
Em cada dor sentida e superada,
cada decepção,
cada dia frio
e solitário.
Eu me vejo perfeitamente com todas as minhas imperfeições
e vícios…
Eu me vejo forte!
Pronta para enfrentar o Leão
Eu me vejo Mulher
Fera, Selvagem
Me vejo furacão de intensidade.
Eu me vejo vivendo,
da melhor forma que consigo.
Eu me vejo brigando com os monstros
os internos e externos também
Eu me vejo seguindo
um caminho incerto
e sem volta.
Eu já passei por tanta coisa
Tanta gente passou por mim
Nesses dias de dor
Nessas horas em que falta ar
Tudo parece sonho
O passado tão longe, tão frio
O futuro tão incerto, tão fora de alcance
O presente turvo é o que há
A dor presente
A angustia de viver o agora
Respeitar o passado
E de leve caminhar para o futuro
O peso das ideias que vaham pela minha mente
me impedem de sair do lugar
Desse lugar de dúvidas e farpas
De ovos que podem se quebrar
De corações a se partir
De amores a partir…
Tudo se vai de algum jeito
para algum lugar
longe de mim
Ou sou eu que parto, desde o parto de minha mãe?
Parto a cada instante
Parto de mim para lugar algum
Para o vazio de uma noite ansiosa, ociosa
De poemas maus escritos
e paralvas que vomitam dores
Limpa esse corpo
Tira esse medo que não é real
Eu sou real
Eu estou aqui
Renasço a cada partida
Retorno às profundezas de um amor esquecido
Recolhido sozinho no canto da sala
Olhos brilhando, esperando um abraço,
um sinal de confiança
Meu amor. Eu amor.
Teu olhar as vezes vai tão fundo em mim que perco o prumo, o medo, o receio, as palavras, teorias, o pudor... me encho de amor!
O que me salva é amor!
A sensação do ar entrando pelas narinas
O vento nos cabelo definindo os cachos
A música que tira o chão, que o corpo altera
O olhar que encara a alma
e tira o ar
e acelera o coração
e te leva pro céu
Prum céu azul, sem nuvens
de um dia frio
de um sol que conforta.
O amor mais uma vez me salva!
Me tira da escuridão de uma noite sem sentido
e me leva para a docilidade de olhar que me fita
Desnuda!
Na distância de uma mão e um abraço quente,
a palavra...
Que ainda existe para salvar os apaixonados
A palavra que vem do mais ínfimo do coração
Que me traz verdade
na simplicidade do cuidado.
Tua palavra me desperta
Tua certeza me impulsiona
Me leva daqui praquilo que sou,
mas esqueci que sou
Meu acalento
Que deita ao meu lado
Me aconchega
Me acolhe
pois sabe quem sou
O amor que me salva
das minhas cegueiras
Tu, meu amor.
Na taça, vinho
De som, flamenco
Encontros, dois
Desencontros, quase dez.
Anos,
de distância,
de desencontros,
de idas, sem vindas.
Hoje, quase 10mil,
de distância e,
um oceano de lágrimas,
Horas de palavras.
Dias de querer-te
Um encontro, de almas
De olhares a serem dados
e sentidos a serem explorados.
Universos desconhecidos
Suspensos num tempo
Tudo no seu tempo
Há de ser amor.
É uma pena que não possa compartilhar contigo todos os momentos. Que o ciúme superficial ainda esteja presente. Digo isso porque tenho tanta segurança no meu sentimento por você e no que/e quem eu realmente quero para a minha vida, que situações como essa de um cara me pagar bebida em um bar é só mais uma situação em que eu mulher, enfrento diariamente. Seria simples eu somente não sair de casa, chamar as amigas, comprar umas bebidas. Mas não acho justo, eu tenho direito de sair de vez enquanto, me divertir, me vestir da forma que eu quiser, ir onde eu bem entender. A questão é que o tempo todo – O TEMPO TODO – somos abordadas por homens. Sejam eles mexendo com a gente, chamando a gente de todos os nomes possíveis ou simplesmente nos comendo com os olhos. E o que eu posso fazer, além de me afastar, de xingar ou no máximo pedir ajuda de alguém (de outro homem?)? Ai quando compartilho uma situação em que simplesmente estou me “aproveitando da situação” em que sou colocada todo o tempo e simplesmente cansei de tentar alguma coisa, eu sou culpabilizada. Porque eu não deveria aceitar a bebida do cara, eu não deveria estar ali, eu deveria me comportar com respeito, eu, eu, eu..., mas e o cara, mesmo eu dizendo que não queria insistiu? E o cara que mesmo eu dizendo que tinha namorado insistiu e trouxe a bebida? O que deveria fazer? Jogar a bebida na cara dele? Sair correndo? Xingar o cara? Chamar a polícia? Em todas essas opções, em quais seria taxada de mal-educada, de louca, de descontrolada? Todas! Todas eu seria a culpada. Todas eu deveria somente ficar na minha, na minha casa, na minha mesa, no meu silêncio. Mas sabe o que eu quero? Eu quero que esses homens se fodam! Eu só queria rir contigo daquele cara idiota que acreditou que pagando uma cerveja para mim ou para a minha amiga seria o suficiente para eu me interessar por ele. Não é assim que funciona. Eu sei muito bem como esses homens me veem e estou cansada. O que você pode fazer? Tanto quanto eu, rir, chorar, se sentir impotente, se sentir uma bosta. Você não é como este cara, é óbvio, não tem responsabilidade alguma sobre ele, mas tem na forma como me trata, como vê enquanto mulher, sendo subjugada o tempo todo, sendo tratada como prostituta ou simplesmente um pedaço de carne. Sim, tudo está relacionado. Eu sou eu e estou na minha pele e me sinto uma merda de aceitar bebida de um cara em um bar, mas em nenhum momento sinto que traí o que temos, o que sinto por você e o que você representa para mim. Porque não é isso, simplesmente, não é isso.
Agora eu sinto, me sinto. Enfrentando a melancolia encontro um refúgio dentro da minha própria companhia. E está tudo bem. Tudo completo. Diferente do que dizem por aí, sou uma ótima pessoa. Tenho sonhos formidáveis, ideias malucas. Tenho impulso de dançar e cantar alto. Movida a cerveja, claro. Mas sou eu. Só tem eu nesta sala e o gato que dorme espalhado no chão. Mas este animo vem de dentro de mim apenas. Eu vejo, sinto uma força incontrolável, um desejo de dominar o mundo, ou quem sabe, a minha própria vida. Minhas ideias viajam na brisa que move aos poucos as árvores que vejo pela janela. Voa livre, sozinha, delicada, do seu modo. Sinto o ir e vir dos galhos, que me levam e trazem, numa dança sincronizada. Um vento leve toca meu rosto, é fresco. Me encontro em mim e basta. As cores estão mais claras, vivas. E o som penetra minha alma, cada detalhe, cada timbre, faz com que meus pelos se arrepiem. Minha pele enrijecida demonstra sentimento à música que toca no alto falante do computador. É como se tudo fosse apenas uma coisa, apenas eu mesma. Então recordo que é este encontro que preciso ter todos os dias para conseguir levantar da cama no início da amanhã e me deitar a noite, satisfeita de um dia realmente produtivo.
As vezes falta um pouco de intensidade nas coisas. Eu gosto disso. De me sentir cheia, extasiada, cansada, com dores de alegria. Sinto tanta apatia ultimamente, tanta superficialidade e tecnicismo. Isso me incomoda!
Você é feito de fragmentos. Meias palavras. É silencio e poucas sílabas. Saber de ti é uma aventura. É delicadeza. Pisar em ovos. Ler entrelinhas. Fico juntando os cacos de suas (palavra que esqueci nome).
Decifrar teus sentimentos é como um caça tesouros. A cada pista um novo caminho. E o tesouro só é completo quando unidas todas as pistas.
Você é mistério. Saber o que passa por trás desses olhos claros é o que me instiga a cada dia mais buscar desvendar-lhe.
Cada detalhe, cada gesto seu, faz parte desse grande quebra-cabeças que é seu coração.
Para as ansiosas como eu, é um martírio. Para as aventureiras como eu, é um desafio.
Há dias de insegurança, há dias de “boa pesca”. Nunca se sabe o momento certo.
É por isso que escolhi esta missão. A missão de te descobrir. De te amar.
Estou com uma frase na cabeça já faz algum tempo e o significado dela tem me encucado bastante. Encucado no sentido de me questionar, até que ponto ela realmente procede?