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sexta-feira, junho 11, 2010

Fotos e uma boa música

Parei para observar novamente. Aquele dia escolhi a roupa certa. Dificilmente isso acontece. Muita gente estava lá, aglomerada esperando uma iniciativa.
Fotos, fleches, sorrisos amarelados e abraços frios, numa noite fria. Lá reinou de fato a falsidade e o puxa-saquismo exagerado.

Naqueles profissionais do jornalismo a mesma pauta, o mesmo enfoque, as mesmas perguntas e enquadramentos. Desperta em mim a necessidade. Vendidos os profissionais? Não acredito. Apenas cumprem seu (árduo) trabalho de fingir que gostam daquele ambiente e se interessam por aquele assunto.

Mais fotos, e a prioridade são os fotógrafos. Eles ficam na frente, não prestam à atenção no que é dito, não pedem licença, nem desculpa. Atrapalham a visão de quem quer ver. Sem noção. De 50 fotos, 1 será escolhida.

Diante daquela mesa farta de torrada e patê colorido, as pessoas falavam alto, conversavam e fingiam classe. A maioria (assim como eu) foi lá só para fazer média e contatos. Quando se entra na faculdade percebemos que isso é de extrema importância.

Mas o pior estava ainda por vir. Enxurrada de palavras prolixas inundou o Ouro Verde. A “coisa” era tão bem dita que se tornava real. E lá vai, um professor (que não poderia faltar) representando a classe nobre e que não recebe o valor devido. Falou poucas palavras. Pouco do que me lembro é um ditado “Falo alto para ser ouvido e pouco para ser aplaudido”. O cidadão teve suas palmas, mesmo que o microfone estava bem baixo.

Lá vem o ex-governador, esse nem prefiro falar, tive um lapso de memória (ou realmente não escutei) e não me lembro o que ele discursou. Trágico. Preciso preservar espaço no meu HD (cérebro).

Por fim a mais esperada, a escritora que mantinha aquele sorriso intacto desde o inicio do lançamento. Não é fácil manter-se simpática o tempo todo (experiência própria).

Suas palavras encantaram, emocionaram. Realmente via-se um amor “incondicional” (?) pelo programa. Desavisados ou novatos, entenderiam que é necessário o registro dos feitos, e este livro era isso: mostrar para estado e Brasil a importância de se investir na educação e na comunidade. Criando uma interação entre as mesmas,

Conhecidos e velhos de carreira compreenderiam a importância de se investir na visibilidade. Este ano, é um ano de muitas “mudanças” (ou não). E sabemos, todos, que a luta é grande. Por isso... Sem mais palavras.

A noite terminou com aplausos e uma fila chata para autógrafos no livro. Uma foto, um beijo, um abraço...

Custava 15 reais. 15 reais para 10 ou 15 minutos de leitura. As cores alegres. As fotos bem selecionadas, muitos rostos de gente que foi beneficiada com o programa. Fotos! A diagramação, muito legal para aqueles livros de mensagens com fotos de animais...

Eu não comprei, mas tive meu abraço, meu beijo e minha foto!

PS: A música realmente era de qualidade!

domingo, abril 25, 2010

Carlos, apenas


Havia acabado de comprar uma coxinha de frango e uma coca-cola gelada. Peguei minhas malas e me sentei numa mureta na grande rodoviária de Curitiba.
Acabava de saborear a coxinha e apreciaria aquela coca que tanto gosto. Quando avistei de longe um homem magro com seus aproximados 30 anos, munido de documentos e alguns papéis amassados. O que me chamava atenção é que ele usava uma mini-saia branca com uma blusa três por quatro roxa e uma rasteira simples nos pés. No cabelo amarelado um arquinho rosa segurava a franja. Seu andar era manco e desconcertado.
Na mureta também, um pouco mais a frente de mim, duas mulheres loiras conversavam discretamente e quando viram aquele homem, imediatamente emitiram expressões de repudio e indignação e cochicharam entre si.
Virei meu rosto em outra direção e fingi não ter visto que ele se aproximava. Quando percebi, ele já estava a minha frente resmungando algumas palavras que não entendi. Sua boca era grande e tinha na parte de cima da gengiva apenas um dente amarelo.
Olhei para ele e arrisquei um sorriso confuso, que a priori de pena e solidariedade. Perguntei o que ele disse então me mostrando os documentos e os papéis que não pude ver direito, mas acredito que eram xérox de exame, me falou que precisava de ajuda para comprar algo de comer. Segundo ele, estava se tratando da AIDS, e disse que acabava de retornar a sua vida novamente.
Agora com certo receio do que ouviria, perguntei, “Que vida”? Ele me olhou desconcertado e gaguejando, falou que a vida de SER HUMANO. Senti naquele instante um nó na garganta e queria poder ajudar de algum jeito.
Como não gosto de dar dinheiro como esmola, expliquei que não tinha nada, apenas aquela coca-cola. Então ele me pediu um gole, entreguei a ele. Ele de alguma forma sorriu agradecido e começou a andar.
Eu estava curiosa, queria saber daquele homem, da sua vida, mas ele me parecia ter medo. Parecia ter vergonha daquela situação. Isso me apertou o coração. Foi quando perguntei seu nome e ele respondeu “Carlos”. Queria fazer algo por ele naquele momento, mas o que?
Acompanhei sua partida com os olhos, até que ele sumiu da minha vista. Queria chorar, espernear, gritar, queria expressar minha indignação. Não por ele, nem pelo que tenha feito. Se ele se drogava, se prostituía, mas porque ele fez aquilo consigo mesmo? Como chegou a esse ponto? Sou tão pequena, me senti inútil diante da situação. E me perguntava o que aquela coca-cola ajudaria na vida de Carlos?
Virei meu rosto em outra direção e fingi não ter visto que ele se aproximava. Quando percebi, ele já estava a minha frente resmungando algumas palavras que não entendi. Sua boca era grande e tinha na parte de cima da gengiva apenas um dente amarelo.

Olhei para ele e arrisquei um sorriso confuso, que a priori de pena e solidariedade. Perguntei o que ele disse então me mostrando os documentos e os papéis que não pude ver direito, mas acredito que eram xérox de exame, me falou que precisava de ajuda para comprar algo de comer. Segundo ele, estava se tratando da AIDS, e disse que acabava de retornar a sua vida novamente.

Agora com certo receio do que ouviria, perguntei, “Que vida”? Ele me olhou desconcertado e gaguejando, falou que a vida de SER HUMANO. Senti naquele instante um nó na garganta e queria poder ajudar de algum jeito.
Como não gosto de dar dinheiro como esmola, expliquei que não tinha nada, apenas aquela coca-cola. Então ele me pediu um gole, entreguei a ele. Ele de alguma forma sorriu agradecido e começou a andar.
Eu estava curiosa, queria saber daquele homem, da sua vida, mas ele me parecia ter medo. Parecia ter vergonha daquela situação. Isso me apertou o coração. Foi quando perguntei seu nome e ele respondeu “Carlos”. Queria fazer algo por ele naquele momento, mas o que?
Acompanhei sua partida com os olhos, até que ele sumiu da minha vista. Queria chorar, espernear, gritar, queria expressar minha indignação. Não por ele, nem pelo que tenha feito. Se ele se drogava, se prostituía, mas porque ele fez aquilo consigo mesmo? Como chegou a esse ponto? Sou tão pequena, me senti inútil diante da situação. E me perguntava o que aquela coca-cola ajudaria na vida de Carlos?